A visita à casa de Francisco José de Souza, no alto do bairro São José, é brindada com uma bela vista do centro da cidade. Chegamos pela manhã e fomos recebidos por toda a família. Pela varanda, já não se tem dúvidas de que se tratam de pessoas com grande fé no Reinado. São várias figuras de santos nas paredes e um altar dedicado a Nossa Senhora do Rosário e São Benedito.
Seu Francisco nasceu na cidade vizinha de São Sebastião do Oeste, há 73 anos. Ele conta que a primeira vez que viu o Reinado foi na comunidade de Serra Negra, zona rural do município. Seu pai era meeiro de terras com um fazendeiro local. Como toda tradicional família do interior de Minas, plantava milho, arroz, feijão e mandioca; a maior parte para sustento próprio. Foi um tio de Francisco que lhe apresentou a tradição do Congado.
No dia da entrevista, mesmo acometido por uma gripe, seu Francisco não se desanimou ao explicar a origem das tradições que representa no bairro.
- Nossa Senhora do Rosário apareceu e, quando levavam ela para a Igreja, ela voltava. Foi o Reinado que levou Nossa Senhora do Rosário para a Igreja. O terno do Moçambique levou ela e ela não saiu mais.
No decorrer da conversa, fomos vendo o quanto toda a família de Francisco é envolvida com a tradição. Filhos, netos, esposa, genro; todos o ajudavam a responder as perguntas que fazíamos. Francisco tem um filho e um genro capitães de guarda. A irmandade do bairro São José tem dois ternos, Moçambique e Catupé. Na hora das festas, guardas de irmandades vizinhas são convidadas para completar o cortejo.
- O Moçambique leva os reis. O Catupé complementa a procissão e ajuda a puxar os reis, serve mais de enfeite da festa.
Seu Francisco conta que as fardas, as coroas, os enfeites e os preparativos para as festas são de responsabilidade dos reis e rainhas. Normalmente, há oito casais, em homenagem a São Benedito, Santa Efigênia, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora das Mercês e Princesa Izabel. Há ainda Rei Congo e Rainha Conga e Rei e Rainha de Promessa.
Ele conta que as guardas levam às imagens às casas dos reis. Eles se incorporam à procissão, que vai até a igreja do bairro, onde é celebrada um missa. Cada guarda leva, no cortejo, a bandeira. Em seguida, vêm os capitães, que organizam a caminhada e fazem os versos. Caixa, pandeiro, reco-reco e tamborim são os instrumentos da guarda do Catupé, que tem 52 'brincadores'. O Moçambique do São José conta com quatro caixas, quatro pantangonas e várias gungas e tem 20 'brincadores'. Seu Francisco comenta que a maioria das guardas do São José é formada de mulheres e crianças. As festividades acontecem em setembro.
- Esse ano nossa festa foi adiada por causa da gripe suína; lembrou.
O capitão regente comentou também dos tempos de proibição do Reinado pela igreja católica oficial.
- Antigamente, quem mexia com Reinado era considerado macumbeiro. A gente ficou 24 anos sem Reinado dentro das igrejas. Hoje, os meninos sabem mais do que a gente. Às vezes, os mais velhos estão mais cansados. Agora, as crianças, não. Bateu o tamborim, elas 'tão lá dançando.
Seu Francisco nasceu na cidade vizinha de São Sebastião do Oeste, há 73 anos. Ele conta que a primeira vez que viu o Reinado foi na comunidade de Serra Negra, zona rural do município. Seu pai era meeiro de terras com um fazendeiro local. Como toda tradicional família do interior de Minas, plantava milho, arroz, feijão e mandioca; a maior parte para sustento próprio. Foi um tio de Francisco que lhe apresentou a tradição do Congado.
No dia da entrevista, mesmo acometido por uma gripe, seu Francisco não se desanimou ao explicar a origem das tradições que representa no bairro.
- Nossa Senhora do Rosário apareceu e, quando levavam ela para a Igreja, ela voltava. Foi o Reinado que levou Nossa Senhora do Rosário para a Igreja. O terno do Moçambique levou ela e ela não saiu mais.
No decorrer da conversa, fomos vendo o quanto toda a família de Francisco é envolvida com a tradição. Filhos, netos, esposa, genro; todos o ajudavam a responder as perguntas que fazíamos. Francisco tem um filho e um genro capitães de guarda. A irmandade do bairro São José tem dois ternos, Moçambique e Catupé. Na hora das festas, guardas de irmandades vizinhas são convidadas para completar o cortejo.- O Moçambique leva os reis. O Catupé complementa a procissão e ajuda a puxar os reis, serve mais de enfeite da festa.
Seu Francisco conta que as fardas, as coroas, os enfeites e os preparativos para as festas são de responsabilidade dos reis e rainhas. Normalmente, há oito casais, em homenagem a São Benedito, Santa Efigênia, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora das Mercês e Princesa Izabel. Há ainda Rei Congo e Rainha Conga e Rei e Rainha de Promessa.
Ele conta que as guardas levam às imagens às casas dos reis. Eles se incorporam à procissão, que vai até a igreja do bairro, onde é celebrada um missa. Cada guarda leva, no cortejo, a bandeira. Em seguida, vêm os capitães, que organizam a caminhada e fazem os versos. Caixa, pandeiro, reco-reco e tamborim são os instrumentos da guarda do Catupé, que tem 52 'brincadores'. O Moçambique do São José conta com quatro caixas, quatro pantangonas e várias gungas e tem 20 'brincadores'. Seu Francisco comenta que a maioria das guardas do São José é formada de mulheres e crianças. As festividades acontecem em setembro.
- Esse ano nossa festa foi adiada por causa da gripe suína; lembrou.
O capitão regente comentou também dos tempos de proibição do Reinado pela igreja católica oficial.
- Antigamente, quem mexia com Reinado era considerado macumbeiro. A gente ficou 24 anos sem Reinado dentro das igrejas. Hoje, os meninos sabem mais do que a gente. Às vezes, os mais velhos estão mais cansados. Agora, as crianças, não. Bateu o tamborim, elas 'tão lá dançando.
A fala de seu Francisco demonstrou mais uma vez a força das manifestações culturais mantidas pela oralidade. Algumas das histórias que ele conta não são exatamente as mesmas que ouvimos de pessoas de outras irmandades, o que é comum em se tratando da tradição oral. A forma como os conhecimentos são passados, de geração em geração, dinamizam a cultura, que ganha novas formas conforme a criatividade e a interpretação de cada um.
- A família de reinadeiro começa no berço, na barriga da mãe; finalizou seu Francisco.


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