A capela da irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito do bairro Alto São Vicente talvez seja a mais bonita de todas. Localizada próxima a um cruzeiro, tem vista para quase toda a cidade. Quem nos recebeu para contar a história da irmandade foram Zilá das Dores Policarpo de Oliveira e Oswaldo João Pacheco, ambos muito receptivos e demontrando empolgação com a conversa.
Começamos pela história de seu Oswaldo, que, logo de cara, preferiu não economizar:
- Meu pai era capitão. Na roça, não tinha diversão. A tradição que o pai tinha, a gente tinha que acompanhar. Ele morreu com 115 anos.
Começamos pela história de seu Oswaldo, que, logo de cara, preferiu não economizar:
- Meu pai era capitão. Na roça, não tinha diversão. A tradição que o pai tinha, a gente tinha que acompanhar. Ele morreu com 115 anos.
Os pais de seu Oswaldo se chamavam João Pacheco e Modestina Rosa Jesus. Ele conta que tinha uma avó escrava de nome Izabel.
- Eu lembro que ela era toda enfeitada, usava brinco e colar de ouro.
Como toda família antiga, a de seu Oswaldo não era das menores. Ele teve mais de 20 irmãos, nascidos dos quatro casamentos do pai. A tradição de reinadeiro veio dos avós. Ele nos relatou um pouco do que sabe sobre a tradição.
- O terno de Congo é o mestre. O Moçambique é a cabeça. É o mais exigido. É o que leva os santos, puxa a coroa, a princesa, a rainha... Congo e Moçambique é mais simples, mais calmo, tanto que é mais idoso que acompanha. O Moçambique é devagar. Isso veio da antiguidade. Eles contavam que Nossa Senhora do Rosário apareceu no meio do mar. Eles levaram ela para a Igreja, mas de noite ela voltou pro mar. Pediram pros escravos de Moçambique trazer Nossa Senhora, e ela não voltou mais pro mar. Foi a simplicidade, a humildade, a crença do Moçambique que convenceu Nossa Senhora. Por isso que é mais simples.
Para seu Oswaldo, o brilho dos ternos de Congo e Moçambique está no canto. Os capitães cantam sempre de frente para a imagem de Nossa Senhora do Rosário e tiram a cantoria na hora. Ele explica que os ternos do Vilão e do Catupé são enfeites da festa. As roupas são mais coloridas, com muitas fitas e espelhos.
- Antigamente, Vilão com Catupé tinha rivalidade. Cada um queria ser mais bonito que o outro. A gente não tem leitura, isso é o que os antigos contam.
Para homenagear São Benedito, as quitandeiras do bairro preparam doces e pães, que são oferecidos ao santo nas festividades. De acordo com seu Oswaldo, trata-se de uma referência ao fato de São Benedito ter sido um ex-escravo que tornou-se cozinheiro num convento de Franciscanos.
- Eu lembro que ela era toda enfeitada, usava brinco e colar de ouro.
Como toda família antiga, a de seu Oswaldo não era das menores. Ele teve mais de 20 irmãos, nascidos dos quatro casamentos do pai. A tradição de reinadeiro veio dos avós. Ele nos relatou um pouco do que sabe sobre a tradição.
- O terno de Congo é o mestre. O Moçambique é a cabeça. É o mais exigido. É o que leva os santos, puxa a coroa, a princesa, a rainha... Congo e Moçambique é mais simples, mais calmo, tanto que é mais idoso que acompanha. O Moçambique é devagar. Isso veio da antiguidade. Eles contavam que Nossa Senhora do Rosário apareceu no meio do mar. Eles levaram ela para a Igreja, mas de noite ela voltou pro mar. Pediram pros escravos de Moçambique trazer Nossa Senhora, e ela não voltou mais pro mar. Foi a simplicidade, a humildade, a crença do Moçambique que convenceu Nossa Senhora. Por isso que é mais simples.
Para seu Oswaldo, o brilho dos ternos de Congo e Moçambique está no canto. Os capitães cantam sempre de frente para a imagem de Nossa Senhora do Rosário e tiram a cantoria na hora. Ele explica que os ternos do Vilão e do Catupé são enfeites da festa. As roupas são mais coloridas, com muitas fitas e espelhos.
- Antigamente, Vilão com Catupé tinha rivalidade. Cada um queria ser mais bonito que o outro. A gente não tem leitura, isso é o que os antigos contam.
Para homenagear São Benedito, as quitandeiras do bairro preparam doces e pães, que são oferecidos ao santo nas festividades. De acordo com seu Oswaldo, trata-se de uma referência ao fato de São Benedito ter sido um ex-escravo que tornou-se cozinheiro num convento de Franciscanos.
- Teve um congresso de cardeais que precisava fazer muita comida, e São Benedito sumiu. Tava quase na hora de servir e ele nem tinha começado a fazer as comidas. Foram procurar São Benedito e encontraram ele ajoelhado, rezando. Ele voltou com toda calma, bem devagar, se fechou na cozinha. Ficaram espiando ele pela fechadura da porta e viram que os anjos estavam ajudando ele a fazer a comida.
Na irmandade do Alto São Vicente, a festa conta com os ternos de Catupé, Vilão e Marinheiro, além dos tradicionais Congo e Moçambique. Segundo Oswaldo, o Marinheiro é tradição herdada da história de Nossa Senhora do Rosário, que foi encontrada no mar. As roupas são brancas e azuis. Trinta dias antes das festividades, é erguida a bandeira do aviso. A festa dura três dias.
Dona Zilá comentou das dificuldades que a irmandade enfrentou para construir a atual capela. Houve época em que os padres não aceitavam receber os cortejos e as festas tinham que acontecer de fora das igrejas. A conclusão da obra foi possível com a mobilização da comunidade e com a ajuda de políticos, que deram materiais de contrução e cederam o terreno.
- Uma irmandade é uma irmandade, tem que prestar serviço para ela. Toda a vida foi só a gente e Deus, disse dona Zilá.
Perguntamos sobre a participação das gerações mais novas. Seu Oswaldo respondeu fazendo referência à própria família.
- Minha bisneta de quatro meses já está na guarda. Eles vão crescendo com a gente. Com 10 anos, já quer bater os instrumentos. Do jeito que eu fui criado na guarda, eu também 'tô ensinando.



Nenhum comentário:
Postar um comentário